
A inteligência artificial trouxe inúmeras possibilidades para facilitar o dia a dia, mas também abriu espaço para novas formas de manipulação de conteúdo.
Um dos exemplos mais conhecidos é o Deepfake, tecnologia capaz de criar vídeos, imagens e até áudios que parecem reais, mas foram alterados digitalmente.
Embora existam aplicações legítimas, como no cinema e na publicidade, o Deepfake também pode ser utilizado para espalhar desinformação, aplicar golpes e prejudicar a reputação de pessoas e empresas.
Neste post, você vai entender:
O que é deepfake?
Como funciona o Deepfake?
Onde o Deepfake pode ser utilizado?
Conheça os tipos de deepfake
Quais os riscos de deepfake
O golpe do parente com voz clonada: um exemplo real de deepfake
Como identificar uma deepfake
Ferramentas e canais para checar se um conteúdo é deepfake
O que fazer diante de uma deepfake?
Deepfake é crime no Brasil?
Vamos nessa?
O que é deepfake?
Deepfake é uma tecnologia baseada em inteligência artificial que cria ou altera vídeos, imagens e áudios para que pareçam autênticos.
O próprio nome combina as palavras em inglês deep learning (aprendizado profundo) e fake (falso).
Na prática, algoritmos analisam milhares de imagens, vídeos ou gravações de voz para reproduzir características de uma pessoa, como expressões faciais, movimentos e forma de falar.
O resultado pode ser tão convincente que, muitas vezes, é difícil identificar a manipulação apenas olhando o conteúdo.
Por isso, o Deepfake se tornou um dos principais desafios relacionados à segurança digital e ao combate à desinformação.
Como funciona o Deepfake?
O Deepfake utiliza modelos de inteligência artificial treinados com grandes volumes de dados, como fotos, vídeos e gravações de voz.
Esses sistemas aprendem padrões de aparência e comportamento para gerar novos conteúdos que imitam uma pessoa real. Quanto maior a quantidade e a qualidade das informações utilizadas no treinamento, mais realista tende a ser o resultado.
Apesar de ser uma tecnologia avançada, seu funcionamento acontece nos bastidores. Para quem consome o conteúdo, o importante é saber que nem sempre um vídeo ou áudio aparentemente verdadeiro corresponde à realidade.
Onde o Deepfake pode ser utilizado?
Nem todo Deepfake é criado com intenção maliciosa. Em diversos setores, essa tecnologia tem sido utilizada de forma criativa e até mesmo educativa. Entre as aplicações mais comuns estão:
- efeitos especiais em filmes e séries;
- dublagens mais naturais;
- recriação digital de personagens históricos;
- campanhas publicitárias;
- projetos educacionais e de acessibilidade.
No entanto, o mesmo recurso também pode ser usado de forma inadequada, principalmente para criar conteúdos enganosos.
Conheça os tipos de deepfake
Existem vários tipos de deepfakes e cada um usa uma técnica e uma tecnologia para criar o conteúdo falso. Entre os tipos mais comuns, estão os abaixo:
- Deepfake de vídeo: é a forma mais conhecida de falsificação e implica na troca de rostos ou manipulação de expressões faciais em vídeos. Essa técnica cria a ilusão de que a pessoa está dizendo ou até fazendo algo que não é real;
- Deepfake de áudio: nesta técnica, primeiro o programa faz uma análise da voz de uma pessoa e depois reproduz a mesma voz, criando gravações de áudio de palavras ou frases que nunca foram pronunciadas;
- Deepfake de imagem: a manipulação de imagem pode trocar o rosto das pessoas em uma foto, recortar a foto para incluir em situações, contextos ou cenários diferentes do real ou até criar imagens, a partir de características da foto original;
- Deepfake de texto: com essa técnica, é possível gerar textos que imitam o estilo de escrita de uma pessoa. Esses novos textos podem ser enviados por mensagens ou e-mails com pedidos inusitados ou até publicados nas redes sociais;
- Deepfake de realidade aumentada ou em tempo real: com uma tecnologia muito mais avançada que as usadas acima, neste tipo de deepfake, manipula-se o rosto ou elementos de uma imagem em tempo real e até mesmo durante uma transmissão ao vivo, tornando mais difícil a identificação do que é original ou alterado.
Como vimos, existem vários tipos de falsificações por aí. Então, fique atento!

Quais os riscos da deepfake?
As deepfakes estão associadas a diversas situações que representam uma ameaça aos usuários e, dependendo do contexto, podem ser consideradas ilegais.
A seguir, conheça os principais riscos da prática:
1 – Desinformação: deepfakes podem ser usadas para criar áudios ou vídeos falsos de figuras públicas, espalhando informações falsas. Essa atitude manipula e influencia a opinião pública;
2 – Fraudes: ao imitar a voz de uma pessoa, é possível enganar familiares e amigos, e pedir a transferência de dinheiro, pagamentos bancários ou solicitar Pix, por exemplo;
3 – Danos à reputação: vídeos ou áudios falsos podem ser comprometedores e até difamar a reputação das pessoas. Além do que, violam a privacidade do indivíduo.
São diversos os prejuízos das deepfakes, tanto para pessoas quanto instituições e governos.
E o deepfake continua a evoluir. Se antes os vídeos eram de baixa qualidade e fácil de encontrar erros, hoje eles são o retrato mais próximo da realidade. Por isso, é preciso ficar atento ao tema e sempre se atualizar quanto a esse assunto.
O golpe do parente com voz clonada: um exemplo real de deepfake
Um dos golpes que mais tem preocupado no Brasil usa deepfake de áudio para clonar a voz de uma pessoa e enganar familiares ou amigos próximos.
Funciona assim: o golpista consegue trechos de áudio da vítima — muitas vezes tirados de vídeos públicos em redes sociais — e usa uma ferramenta de IA para gerar uma nova fala, imitando o tom e as características da voz original.
Com esse áudio (ou até uma ligação em tempo real, em casos mais avançados), o golpista liga para um parente ou amigo da vítima fingindo estar em uma emergência — como um acidente, uma prisão ou um problema de saúde — e pede uma transferência urgente de dinheiro, geralmente via Pix.
Como se proteger:
- Desconfie de pedidos urgentes de dinheiro por telefone, mesmo que a voz pareça familiar;
- Sempre que possível, confirme a informação por outro canal — ligue de volta para o número já conhecido da pessoa, ou pergunte para alguém que ambos conheçam;
- Combine com familiares uma “palavra-chave” de confirmação para emergências reais, algo que só vocês saibam;
- Não realize transferências por pressão do momento — pare, respire e confirme antes de agir.
Esse tipo de golpe reforça por que reconhecer os sinais de deepfake (que você confere mais abaixo) é uma habilidade cada vez mais necessária no dia a dia.
Como identificar uma deepfake
Ao receber um vídeo ou áudio duvidoso, assista novamente o conteúdo para identificar sinais de deepfake, entre eles:
- movimentos bruscos;
- lábios mal sincronizados com a fala;
- olhos sem piscar ou piscando de forma irregular;
- mudanças bruscas na imagem;
- iluminação ou tom da pele diferentes.
Ferramentas e canais para checar se um conteúdo é deepfake
Além de observar os sinais visuais e sonoros, você também pode contar com apoio de ferramentas e iniciativas dedicadas a checar informações:
- Agências de fact-checking brasileiras, como Aos Fatos, Lupa e Comprova, frequentemente investigam e publicam verificações sobre vídeos e áudios suspeitos que viralizam nas redes;
- Busca reversa de imagem (como o Google Imagens ou o TinEye), que ajuda a identificar se um vídeo ou foto já apareceu antes em outro contexto, possivelmente sendo reaproveitado de forma enganosa;
- Canais de denúncia das próprias plataformas (YouTube, Meta, WhatsApp), que permitem reportar diretamente conteúdos suspeitos de manipulação.
Na dúvida, evite compartilhar o conteúdo até confirmar sua veracidade — mesmo com boa intenção, isso ajuda a espalhar desinformação.
O que fazer diante de uma deepfake?
Quando receber um conteúdo falso, jamais compartilhe.
Utilize os canais de denúncias das plataformas online para denunciar. YouTube, Facebook, WhatsApp, cada rede social tem instruções específicas para que você possa reportar conteúdos falsos ou prejudiciais.
Deepfake é crime no Brasil?
Não existe ainda uma lei específica que trate exclusivamente de “deepfake” como um crime isolado no Brasil, mas o uso mal-intencionado dessa tecnologia pode se enquadrar em diversas leis já existentes, dependendo do contexto:
- Calúnia, difamação ou injúria (Código Penal), quando o conteúdo falso atribui um crime, ofende a honra ou a reputação de alguém;
- Estelionato (Código Penal), em casos de golpes financeiros, como o golpe do parente com voz clonada;
- Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), quando há uso indevido de imagem, voz ou outros dados pessoais para criar o conteúdo;
- Regras específicas do TSE para o período eleitoral, que exigem identificação clara de conteúdo criado ou manipulado por inteligência artificial em propagandas e campanhas políticas, com possibilidade de remoção e punição para quem descumprir.
Se você foi vítima de um deepfake, o recomendado é reunir o máximo de evidências possível (prints, links, data e horário) e procurar uma delegacia especializada em crimes digitais para registrar um boletim de ocorrência.
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